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Coletânea Vida de Igreja · 1 de 1

Cristãos, não deixem que alguém entre e saia da igreja sem ser percebido!

Rodolfo Figueredo · Pastor Sênior

23 de outubro de 2026 · 15 min de leitura

1

Igreja

Imagine a seguinte situação.

Uma família decide visitar uma igreja. Talvez tenha se mudado recentemente para a cidade. Talvez esteja procurando uma comunidade onde possa congregar. Talvez tenha passado por experiências difíceis em outra igreja. Ou talvez esteja dando seus primeiros passos na fé cristã.

Chega alguns minutos antes do culto. Encontra um lugar para se sentar. Observa as pessoas conversando, cumprimentando-se, sorrindo umas para as outras. Percebe que muitos se conhecem há bastante tempo.

O culto começa.

A igreja canta. Ora. Ouve a exposição das Escrituras. Tudo acontece com reverência, ordem e seriedade.

Aquela família gosta do que ouve. Reconhece a fidelidade da pregação. Aprecia a maneira como a igreja adora a Deus.

Então o culto termina.

As pessoas se levantam. Os amigos se encontram. Pequenos grupos começam a conversar. Alguns combinam o almoço. Outros falam sobre a semana. Há sorrisos, abraços e demonstrações de carinho por toda parte.

Mas ninguém se aproxima daquela família.

Ela permanece alguns minutos no local, talvez esperando uma oportunidade de conversar. Depois se levanta e vai embora.

Na semana seguinte, decide voltar. Acontece praticamente a mesma coisa. E talvez volte uma terceira vez.

Até que, em algum momento, surge uma pergunta dolorosa:

“Será que existe lugar para nós aqui?”

É possível que aquela igreja seja realmente fiel às Escrituras. É possível que seus membros sejam pessoas piedosas e amorosas. É possível até que, se aquela família permanecesse por mais tempo, descobrisse relacionamentos extraordinários.

Mas existe um problema.

O amor que os membros demonstram uns aos outros não está alcançando aqueles que acabam de chegar.

E precisamos conversar sobre isso, pois tenho atendido irmãos e casais que tem pontuado isso com muita tristeza.

1. Uma igreja biblicamente fiel também precisa ser uma igreja amorosa

Há algo que precisamos afirmar desde o início: a principal razão para alguém procurar uma igreja deve ser sua fidelidade à Palavra de Deus.

Não escolhemos uma igreja simplesmente porque gostamos da música, do ambiente, das instalações ou da maneira como as pessoas nos tratam.

A igreja é, antes de tudo, uma comunidade reunida por Cristo, debaixo de Sua Palavra, para adorar a Deus, receber o ensino das Escrituras, participar das ordenanças e viver em comunhão.

Mas seria um erro utilizar essa verdade para diminuir a importância do amor fraternal.

A mesma Bíblia que nos ordena perseverar na doutrina também nos ordena amar os irmãos.

Paulo escreve:

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Rm 12:10)

Observe a expressão:

“Amai-vos cordialmente.”

Não se trata de uma convivência meramente educada. Não é apenas tolerar a presença dos irmãos.

O amor cristão deve possuir afeição, consideração e demonstrações concretas de cuidado.

Poucos versículos depois, Paulo acrescenta:

“Compartilhai as necessidades dos santos; praticai a hospitalidade.” (Rm 12:13)

Portanto, acolher pessoas não é uma ideia moderna inventada para tornar as igrejas mais atraentes. É uma expressão da vida cristã ensinada pelas Escrituras.

Precisamos ter muito cuidado para não desenvolver uma compreensão de fidelidade bíblica que valorize corretamente a sã doutrina, mas negligencie os mandamentos que essa mesma doutrina nos apresenta.

Uma igreja não se torna menos bíblica quando demonstra carinho. Ela está sendo bíblica também quando demonstra carinho.

2. O visitante não deveria precisar disputar nossa atenção com nossos amigos

Pense em como normalmente nos comportamos ao término de um culto.

Procuramos nossos amigos. Conversamos com as pessoas de quem gostamos. Perguntamos sobre assuntos que ficaram pendentes durante a semana. Cumprimentamos aqueles com quem já temos intimidade.

Nada disso é errado.

Pelo contrário, é maravilhoso que os membros de uma igreja desenvolvam amizades profundas.

O problema começa quando nosso círculo de amizades se torna tão fechado que já não percebemos quem está fora dele.

Às vezes, uma pessoa nova está sentada a poucos metros de nós, enquanto passamos quinze ou vinte minutos conversando com irmãos que encontramos todos os domingos.

Não percebemos que ela está sozinha.

Não percebemos que talvez esteja procurando alguém com quem conversar.

Não percebemos que aquela pode ser sua primeira experiência numa igreja cristã.

E não percebemos porque estamos ocupados demais com pessoas que já conhecemos.

Isso exige uma pergunta sincera:

Será que nossa comunhão se tornou tão confortável para nós que deixou de ser acolhedora para quem chega?

Não precisamos abandonar nossos amigos. Precisamos aprender a ampliar nosso círculo de amor.

Talvez aquela conversa que você costuma ter depois do culto possa esperar alguns minutos.

Talvez seu amigo compreenda perfeitamente se você disser:

“Espere um pouquinho. Quero cumprimentar aquela família que ainda não conheço.”

Aliás, que coisa bonita seria se ele respondesse:

“Vamos juntos!”

3. Não confunda acolhimento com uma simples saudação na entrada (do grupo de recepção)

É muito bom quando uma igreja possui irmãos responsáveis por receber as pessoas na porta.

Esse serviço é importante.

Um sorriso, uma saudação, uma orientação sobre onde se sentar ou uma ajuda com as crianças podem fazer diferença para quem chega pela primeira vez.

Mas precisamos compreender algo:

A hospitalidade cristã não é responsabilidade exclusiva de quem está escalado para recepcionar visitantes.

É responsabilidade de toda a igreja.

Uma pessoa pode ser muito bem recebida na entrada e, ainda assim, sentir-se completamente sozinha depois do culto.

Pode ouvir um cordial “seja bem-vindo” e não encontrar ninguém interessado em conhecê-la.

Pode receber um aperto de mão sem jamais receber uma pergunta sincera sobre sua vida.

Existe uma diferença entre cumprimentar alguém e acolher alguém.

Cumprimentar pode levar alguns segundos. Acolher exige disposição para conhecer.

  • É perguntar o nome.

  • É procurar saber de onde a pessoa veio.

  • É interessar-se por sua família.

  • É apresentar outros irmãos.

  • É convidá-la para uma conversa.

  • É lembrar-se dela quando voltar.

Imagine como seria bom se, na segunda visita, alguém se aproximasse e dissesse:

“Que alegria ver vocês novamente! Como passaram a semana?”

Pode parecer algo pequeno, mas, para quem chegou sem conhecer ninguém, talvez não seja pequeno.

Significa que alguém percebeu sua presença. Significa que alguém se lembrou. Significa que aquela pessoa não foi apenas mais um rosto entre tantos outros.

4. O amor cristão precisa ser visto, e não apenas afirmado

Jesus disse aos Seus discípulos:

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros.” (Jo 13:35)

Observe que Jesus não disse que Seus discípulos seriam reconhecidos apenas pela capacidade de explicar corretamente determinadas doutrinas.

Isso não significa que a doutrina seja secundária. O próprio Cristo ensinou a verdade e exigiu fidelidade à Sua Palavra.

Mas Ele também declarou que o amor entre Seus discípulos seria uma marca visível de sua identidade.

O amor cristão não deveria ser apenas uma convicção que defendemos. Deveria ser uma realidade que as pessoas conseguem perceber.

João escreve:

“Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.” (1Jo 3:18)

É possível dizer que nossa igreja é uma família e, ainda assim, não agir como família diante de quem chega.

É possível afirmar que amamos as pessoas e não reservar alguns minutos para conhecê-las.

É possível defender corretamente a doutrina da comunhão dos santos e permanecer indiferente à solidão de alguém sentado ao nosso lado.

E aqui precisamos fazer uma distinção. Não estamos falando de produzir emoções artificiais. Ninguém precisa fingir intimidade com uma pessoa que acabou de conhecer. Não precisamos transformar cada visitante em nosso melhor amigo no primeiro domingo. Mas podemos demonstrar interesse verdadeiro.

Podemos ser gentis.

Podemos ser atenciosos.

Podemos fazer com que aquela pessoa perceba que sua presença é motivo de alegria.

O amor cristão não exige intimidade imediata, mas exige que não sejamos indiferentes.

5. Talvez você não saiba o que aquela pessoa enfrentou para chegar até a igreja

Existe algo que raramente consideramos quando vemos uma pessoa desconhecida entrando no templo.

Nós não conhecemos sua história.

Talvez ela esteja procurando uma igreja depois de anos afastada da comunhão cristã.

Talvez tenha sido ferida por pessoas em quem confiava.

Talvez esteja enfrentando uma crise no casamento.

Talvez tenha perdido alguém recentemente.

Talvez esteja lutando contra a depressão, a solidão ou o desânimo.

Talvez tenha passado a semana inteira criando coragem para visitar uma igreja onde não conhece absolutamente ninguém.

Talvez esteja buscando respostas sobre Deus.

E talvez tenha chegado pensando:

“Espero encontrar pessoas com quem eu possa conversar.”

Não estou dizendo que devemos presumir que todo visitante esteja sofrendo. Tampouco que possuímos a responsabilidade de resolver todos os problemas de quem chega.

Mas precisamos reconhecer que uma pessoa nunca é apenas um visitante. É alguém com uma história, uma família, dificuldades, esperanças e necessidades que talvez desconheçamos completamente.

Quando você se aproxima para conversar, não sabe o que Deus poderá fazer por meio daquele encontro.

Talvez seja apenas uma conversa agradável.

Talvez seja o início de uma amizade.

Talvez aquela pessoa encontre alguém com quem poderá compartilhar suas dificuldades.

Talvez você tenha a oportunidade de apresentar o Evangelho.

Ou talvez descubra que está diante de um irmão em Cristo que também tem muito a lhe ensinar.

O ponto é simples: não sabemos.

E justamente por isso não deveríamos tratar a presença de alguém como algo sem importância.

6. A hospitalidade cristã exige que saiamos do nosso conforto

O autor de Hebreus escreve:

“Não negligencieis a hospitalidade, pois alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos.” (Hb 13:2)

O texto recorda episódios bíblicos em que pessoas receberam visitantes sem conhecer plenamente sua identidade.

Mas o mandamento é claro: não negligenciem a hospitalidade.

E existe algo importante nessa palavra: negligenciar.

Nem sempre deixamos de acolher alguém porque somos hostis. Às vezes, simplesmente não prestamos atenção.

Não existe má intenção. Não existe desprezo deliberado. Não existe desejo de excluir. Existe apenas distração.

Estamos preocupados com nossos compromissos, nossos amigos, nosso almoço, nossa rotina.

E alguém passa por nós sem ser percebido.

Mas a ausência de má intenção não significa necessariamente ausência de responsabilidade. O amor cristão exige iniciativa.

Exige que, algumas vezes, deixemos de fazer aquilo que seria mais confortável para fazer aquilo que será mais proveitoso para outra pessoa.

Talvez você seja tímido.

Talvez tenha dificuldade para iniciar conversas.

Talvez não saiba muito bem o que dizer.

Eu compreendo. Nem todos possuem a mesma facilidade para se relacionar.

Mas hospitalidade não exige uma personalidade extrovertida.

Uma pessoa tímida também pode sorrir.

Também pode cumprimentar.

Também pode perguntar o nome.

Também pode apresentar um visitante a outro irmão.

Também pode demonstrar carinho de maneira simples e sincera.

Não precisamos ser excelentes conversadores.

Precisamos estar dispostos a amar.

7. Não devemos criar obstáculos desnecessários para quem deseja permanecer entre nós

Aqui chegamos a um ponto particularmente importante.

Uma pessoa não deveria escolher uma igreja apenas porque foi bem recebida. A fidelidade às Escrituras precisa ocupar o primeiro lugar. Uma igreja pode ser extremamente acolhedora e, ao mesmo tempo, ensinar doutrinas contrárias à Palavra de Deus. Um ambiente agradável não transforma uma igreja infiel em uma igreja saudável.

Mas também precisamos considerar o outro lado.

Por que permitir que a frieza de nossos relacionamentos se torne um obstáculo para alguém que deseja congregar numa igreja fiel?

Imagine uma família que reconhece a seriedade da pregação, concorda com a doutrina ensinada e deseja conhecer melhor a comunidade.

Mas, domingo após domingo, ninguém se aproxima.

Ela observa a comunhão dos outros, mas não consegue participar dela.

Vê amizades, mas não encontra abertura.

Percebe carinho entre os membros, mas não experimenta esse carinho.

É claro que também existe responsabilidade por parte de quem chega. Relacionamentos são construídos por pessoas que se aproximam umas das outras. Visitantes também podem tomar iniciativas, fazer perguntas e procurar conhecer os membros.

Mas isso não diminui nossa responsabilidade.

Afinal, quem já pertence à comunidade conhece o ambiente, os costumes, as pessoas e a dinâmica da igreja.

Quem chega ainda está descobrindo tudo isso.

Por que não facilitar esse caminho?

Paulo ensina:

“Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus.” (Rm 15:7)

No contexto de Romanos, Paulo está tratando da necessidade de acolhimento mútuo entre cristãos que enfrentavam tensões e diferenças dentro da comunidade. O princípio é precioso: nossa maneira de receber uns aos outros deve ser moldada pela graça com que Cristo nos recebeu.

E, embora o texto não trate especificamente de visitantes, ele nos oferece uma base importante para refletir sobre o caráter acolhedor da comunhão cristã.

Não podemos obrigar ninguém a permanecer numa igreja.

Não podemos garantir que todos se sentirão confortáveis.

Nem devemos comprometer a verdade para agradar pessoas.

Mas podemos cuidar para que ninguém encontre em nossa indiferença um motivo desnecessário para ir embora.

8. Uma igreja acolhedora não nasce apenas de boas intenções

Talvez, depois de ler tudo isso, alguém diga: “Mas nossa igreja ama as pessoas!”

Que bom!

A pergunta seguinte, porém, precisa ser feita:

As pessoas que chegam conseguem perceber esse amor?

Porque existe uma diferença entre aquilo que pensamos ser e aquilo que efetivamente demonstramos.

Podemos ser uma comunidade profundamente afetuosa entre seus membros e, ainda assim, parecer fechada para quem está chegando.

Não porque desejemos excluir. Mas porque nossas amizades já estão estabelecidas.

Nossas conversas já possuem histórias compartilhadas.

Nossos grupos já estão formados.

E talvez não percebamos como é difícil entrar num círculo em que todos se conhecem, menos você.

Por isso, precisamos desenvolver hábitos concretos.

Antes do culto, observe quem está chegando.

Se perceber alguém que ainda não conhece, aproxime-se.

Apresente-se.

Pergunte o nome.

Se houver oportunidade, converse um pouco.

Depois do culto, não saia imediatamente à procura dos amigos de sempre.

Olhe ao redor.

Talvez exista alguém esperando uma oportunidade de conversar.

Se você já cumprimentou aquela pessoa anteriormente, procure lembrar-se dela.

Apresente-a a outros irmãos. Convide-a para um café.

Se for apropriado, convide-a para almoçar com sua família.

E, quando ela voltar, demonstre alegria em reencontrá-la.

Nada disso exige um grande programa.

Não exige orçamento.

Não exige uma equipe numerosa.

Exige apenas cristãos dispostos a praticar aquilo que as Escrituras ensinam.

E talvez seja importante acrescentar algo: acolher não significa pressionar.

Algumas pessoas precisam de mais tempo para desenvolver relacionamentos. Outras são reservadas. Algumas desejam conversar bastante; outras preferem conhecer o ambiente aos poucos.

O amor também sabe respeitar.

O objetivo não é cercar visitantes de perguntas ou constrangê-los com uma atenção excessiva.

É fazer com que saibam que são bem-vindos e que existem pessoas sinceramente interessadas em conhecê-los.

9. O acolhimento não termina quando alguém decide permanecer

Existe ainda um perigo que precisamos evitar.

Podemos receber alguém com entusiasmo durante as primeiras visitas e, depois que essa pessoa começa a frequentar regularmente a igreja, simplesmente deixar de prestar atenção nela.

Mas o amor fraternal não é uma estratégia para conquistar novos membros. É uma responsabilidade permanente.

O visitante de hoje pode tornar-se o irmão que amanhã precisará de nossas orações.

A família que chega agora poderá atravessar enfermidades, dificuldades financeiras, crises e perdas.

E a igreja deverá estar presente.

Paulo descreve o corpo de Cristo dizendo:

“De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam.” (1Co 12:26)

Isso exige relacionamentos reais.

Não conseguimos sofrer com quem sofre se nunca procuramos conhecer sua dor.

Não conseguimos nos alegrar com quem se alegra se sequer sabemos o que está acontecendo em sua vida.

Uma igreja amorosa não é aquela em que todos possuem intimidade com todos. Isso nem sempre será possível.

Mas é aquela em que os membros compreendem que pertencem uns aos outros em Cristo e, por isso, procuram cuidar uns dos outros.

Acolher quem chega é apenas uma das primeiras expressões desse compromisso.

Concluo com uma aplicação — No próximo domingo, olhe ao redor

Quero terminar este artigo com um convite muito simples.

No próximo culto, quando chegar à igreja, não procure imediatamente apenas as pessoas que você já conhece.

Olhe ao redor.

Talvez exista uma família que começou a frequentar recentemente. Talvez um jovem esteja sentado sozinho. Talvez uma senhora tenha vindo pela primeira vez. Talvez um casal esteja tentando descobrir se aquela poderá ser sua comunidade cristã.

Aproxime-se. Apresente-se. Pergunte o nome. Demonstre interesse.

Não faça isso como quem está cumprindo uma tarefa.

Faça como alguém que compreendeu que amar pessoas também faz parte da nossa adoração a Deus.

E, se você já faz isso, continue. Seu exemplo pode incentivar outros irmãos a desenvolverem a mesma disposição.

Talvez você pense:

“Mas eu não tenho muita coisa para oferecer.”

Tem, sim.

Você pode oferecer alguns minutos.

Pode oferecer atenção. Pode oferecer uma conversa. Pode oferecer um sorriso sincero. Pode oferecer um lugar à sua mesa. Pode oferecer amizade.

E, acima de tudo, pode apontar aquela pessoa para Cristo e ajudá-la a encontrar seu lugar na comunhão da igreja.

Lembre-se de que Jesus não nos chamou apenas para conhecer a verdade, mas também para vivê-la.

E a verdade que confessamos aos domingos precisa aparecer na maneira como tratamos as pessoas antes e depois dos cultos.

Não estou sugerindo que transformemos a igreja num ambiente em que o bem-estar das pessoas seja mais importante do que a fidelidade a Deus.

Muito pelo contrário.

É justamente porque desejamos ser fiéis a Deus que precisamos levar a sério Seus mandamentos sobre o amor fraternal.

Que ninguém precise frequentar nossa igreja durante semanas para descobrir que somos uma família.

Que ninguém precise observar de longe a comunhão que anunciamos possuir.

Que ninguém se sinta invisível simplesmente porque estamos ocupados demais com nossas próprias amizades.

E que, se alguém decidir não permanecer entre nós, não seja porque deixamos de demonstrar o amor que as Escrituras nos ordenam praticar.

Talvez uma conversa de cinco minutos não pareça capaz de produzir grandes mudanças.

Mas pode ser o começo de uma amizade que durará décadas.

Pode ser o primeiro passo para que uma família encontre uma comunidade onde crescerá espiritualmente.

Pode ser uma oportunidade para que alguém conheça melhor o Evangelho.

Pode ser o início de um relacionamento no qual você também será profundamente abençoado.

No próximo domingo ou na terça-feira, portanto, antes de ir embora, olhe mais uma vez ao redor.

Talvez exista alguém que você ainda não conhece.

Não permita que essa pessoa saia sem ao menos descobrir que existe alguém naquela igreja que se alegrou com sua presença.

Porque uma igreja que anuncia o amor de Cristo também precisa demonstrar esse amor às pessoas que chegam até ela.

Rodolfo Figueredo · Pastor Sênior

23 de outubro de 2026

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