Este talvez seja um dos questionamentos que os pais mais fazem: meu filho pode participar de quadrilha? Outros, mais acostumados com o movimento gospel que introduz tudo o que há no mundo dentro das igrejas, podem questionar: como cristão, eu posso participar de festa junina?

Primeiro, preciso reforçar algo que sempre faço questão de falar em nossos cultos e encontros ou quando alguém me pergunta o que pode ou não fazer, o que é pecado ou não é. Somos CRISTÃOS ORTODOXOS de denominação Batista. Isso, diz muito à respeito de quem somos e de  como cremos.

Para começarmos essa conversa, preciso dizer que existe uma linha muito sensível entre a contextualização e sincretismo religioso. O que quero dizer com isso?

A contextualização é quando inferimos entre nós, crentes em Jesus, o desejo de introduzir coisas naturais ao mundo em nosso meio. Não são poucos aqueles que tentam tornar tudo gospel. Isso, rompe com a nossa santidade de vida.

Não podemos defender que isso “não é nada demais”! Meu filho se vestir de caipira, ou minha filha colocar um vestido de quadrilha para dançar na escola é normal porque todos na escola farão. Pois bem, nem todos nesta escola são cristãs. E existem coisas que devem nos separar do mundo. Afinal, não é isso que significa a santificação?

Sim. Precisamos viver neste mundo. Mas a nossa vida e aquilo que vivenciamos não podem nos fazer negociar a essência do evangelho.

E se fizermos uma festa Junina cristã? Onde os participantes são crentes em Jesus e ainda podemos trazer pessoas para conhecer o Evangelho do Senhor. Podemos fazer ali um evento de evangelismo juntamente com uma festa que anime o povo de Deus? Não. Claramente não, pois não negociamos com o pecado. 

Devido a “gospelização” da fé, parte da igreja brasileira começou a considerar todo e qualquer tipo de manifestação cultural ou religiosa como lícita, proporcionando com isso a participação dos crentes em eventos deste “naipe”, desde que, portanto, houvesse uma confissão de que tal festa agora é cultural e não mais idólatra!

Com isso, surgem as baladas, festas e boates gospel, arraias evangélicos, assim também como a possibilidade de participar de festas idólatras sem ferir a glória de Deus!

 

POR QUE NÃO DEVEMOS PARTICIPAR DE FESTAS PAGÃS?

Diante de tudo o que falamos aqui, gostaria de ressaltar de forma bem prática e objetiva as principais razões porque não consideramos, como igreja local, lícito ou adequado, que cristãos organizarem ou participarem de arraias, festas juninas, Halloween, etc.

 

MOTIVO 1

Em primeiro lugar, o  fundo histórico das festas juninas é idólatra, onde o objetivo final é venerar os chamados “santos católicos”.

Bom, ao ler essa afirmação talvez alguém possa dizer: “Ah, tudo bem, eu concordo, mas a festa junina que eu vou não é católica e sim evangélica ou cultural da minha cidade, portanto, não rola idolatria. Tem até cantor famoso evangélico evangelizando na festa.” Pois é, o fato de transformarmos uma festa idólatra numa festa gospel ou cultural, não a torna uma festa legitimamente cristã.

Além de que, o evangelho não proporcionou mudança no idólatra que planejou a festa, e nem a cultura da cidade foi regenerada por Cristo! E sendo assim, não vemos nada demais em participar?

Outra observação a ser feita é que do ponto de vista das Escrituras é preciso que entendamos que não fomos chamados a imitar o mundo e sim a transformá-lo.

 

MOTIVO 2

Um segundo ponto que precisa ser considerado é que ao criarmos uma festa junina evangélica ou participarmos de uma “festa cultural”, estamos contribuindo com a sincretização do evangelho e não nos diferenciamos em nada dos “cristãos judaizantes”, do pessoal da teologia da prosperidade, dos “apóstolos atuais”, pois estamos contribuindo para um evangelho não ortodoxo.

Basta ler sobre a história da igreja e veremos que um dos seus graves problemas sempre foi a sincretização da fé.

 

MOTIVO 3

Em terceiro lugar, a participação, bem como, organização de festas juninas por parte dos cristãos aponta efetivamente para a “mundanização” da igreja. Paulo, em Romanos, nos ensina a não nos conformarmos com este século, o que significa nada mais, nada menos do que tomar a “forma” deste mundo.

Romanos 12:1-2 – “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”

 

MOTIVO 4

Por fim, em quarto,  a Festa Junina não é cultural. Festa junina é paganismo. No afã de se entreter e provar de boa comida (e não duvido disso), parte da igreja brasileira tem se aproximado de conceitos anticristãos, negociando assim, valores que jamais deveriam ser negociados. Talvez alguns possam dizer: “Só fui me divertir, passar o tempo, e comer… Não adorei imagem nenhuma.”

Ora, como já escrevi e preguei inúmeras vezes, o fato de você não fazer algo errado (idolatrar na festa, por exemplo), não significa que você fez o correto apenas estando lá, de boa. Há ímpios que nunca fumaram ou mataram, mesmo assim, Deus os odeia, por não serem submissos a doutrina e a piedade.

E não nos esqueçamos que, de acordo com Romanos 8, a vida no Espírito e o caráter cristão são marcados pelo padecer pelo Evangelho, abrindo mãos de nossos desejos que não glorificam a Deus. A Palavra de Deus em nenhum momento nos incentiva a nos entreter em festas pagãs.

Não possuo a menor dúvida em afirmar que as igrejas que organizam festas juninas com danças, vestes caipiras e outras coisas mais, ou membros de igrejas protestantes que vão a tais festas, romperam a linha limite da contextualização embarcando de cabeça no barco do sincretismo.

Me parece coerente e sábio que em situações deste tipo, apliquemos a orientação paulina que diz:

I Coríntios 10:23 –  “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam.”

Que Deus tenha misericórdia de nós e que possamos viver essa verdade.

 

Em amor,

Pr. Rodolfo