A história do louvor do povo de Deus

O que o momento do louvor representa para você? O louvor em comunidade se caracteriza pela união da igreja para cultuar a Deus com cânticos que exaltam os atributos divinos (características de Deus).

“O louvor é o crente se encantar com a beleza do caráter de Deus.” – C. S. Lewis

Para que as músicas fossem apresentadas com a excelência da qual Deus é digno, o Senhor estabeleceu no Antigo Testamento que os louvores no tabernáculo e no templo seriam dirigidos por músicos, separando uma tribo do povo de Israel para serem sacerdotes e conduzirem a adoração a Ele através dos sacrifícios e do culto – a tribo de Levi.

Cantores: “Estes são, pois, os que Davi constituiu para o ofício do canto na casa do Senhor, depois que a arca teve repouso. E ministravam diante do tabernáculo da tenda da congregação com cantares, até que Salomão edificou a casa do Senhor em Jerusalém; e estiveram, segundo o seu costume, no seu ministério.” 1 Crônicas 6:31-32

Ministros: “E Davi, juntamente com os capitães do exército, separou para o ministério os filhos de Asafe, e de Hemã, e de Jedutum, para profetizarem com harpas, com címbalos, e com saltérios; e este foi o número dos homens aptos para a obra do seu ministério.” 1 Crônicas 25:1

Levitas: “E os levitas, que eram cantores, todos eles, de Asafe, de Hemã, de Jedutum, de seus filhos e de seus irmãos, vestidos de linho fino, com címbalos, com saltérios e com harpas, estavam em pé para o oriente do altar; e com eles até cento e vinte sacerdotes, que tocavam as trombetas. E aconteceu que, quando eles uniformemente tocavam as trombetas, e cantavam, para fazerem ouvir uma só voz, bendizendo e louvando ao Senhor; e levantando eles a voz com trombetas, címbalos, e outros instrumentos musicais, e louvando ao Senhor, dizendo: Porque ele é bom, porque a sua benignidade dura para sempre, então a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a casa do Senhor.” 2 Crônicas 5:12-13

O louvor na igreja primitiva

Com o Novo Testamento, a igreja do primeiro século se reunia em pequenos grupos nas casas dos irmãos. Estes realizavam cultos de acordo com a Nova Aliança (obra redentora de Cristo), em que há, por exemplo, a ordenança da Ceia do Senhor, não ficando restritos apenas às celebrações judaicas no templo.

Partindo o pão em casa: “E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.” Atos 2:46-47

No templo e nas casas: “E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo”. Atos 5:42

Mas por que em casa? Eles precisavam realizar cultos a Cristo de forma escondida por causa da perseguição, tanto dos judeus quanto do Império Romano.

Perseguições: “Tu, porém, tens seguido a minha doutrina, modo de viver, intenção, fé, longanimidade, amor, paciência, perseguições e aflições tais quais me aconteceram em Antioquia, em Icônio, e em Listra; quantas perseguições sofri, e o Senhor de todas me livrou”. 2 Timóteo 3:10-11

Foram afligidos: “Pois, estando ainda convosco, vos predizíamos que havíamos de ser afligidos, como sucedeu, e vós o sabeis”. 1 Tessalonicenses 3:4

Prisão: “Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Apocalipse 2:10

Onde o louvor entra nesse contexto de perseguição e clandestinidade? Para entendermos que a prioridade da igreja apostólica era pregar o Evangelho no pouco tempo que tinham juntos, pois eles não sabiam como seria o dia de amanhã. Isso não quer dizer que, pela falta de recursos, os cristãos deixaram de cantar músicas sacras. Uma prova disso são os relatos de louvor e ordenanças dos apóstolos em suas cartas às igrejas, reforçando a importância da adoração.

Louvor no templo: “E, adorando-o eles, tornaram com grande júbilo para Jerusalém. E estavam sempre no templo, louvando e bendizendo a Deus. Amém”. Lucas 24:52-53

Cânticos e hinos: “Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração”. Efésios 5:19

Louvores no meio da congregação: “Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da congregação”. Hebreus 2:12

Uma vez que não existe mais o ministério levítico responsável pelo templo, sacrifícios e louvores, sendo todos os cristãos sacerdotes de Deus, a nossa adoração é em “Espírito e em verdade”, ou seja, na realidade de tudo que fazemos e não apenas num determinado local. Precisamos entender o papel do louvor no culto da igreja contemporânea, diferenciando “dom” e tipos de “ministérios”.

Sacerdotes: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. 1 Pedro 2:9

Sacrifício de louvor: “Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome”. Hebreus 13:15

Grupo de louvor no culto ao Senhor no início de 2020

Diferença entre dons e ministérios

Os dons são presentes que recebemos do Senhor a fim de exaltar exclusivamente o Seu nome através do uso destes no Reino de Deus.

Recebemos do Pai: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. Tiago 1:17

Exaltar a Deus: “Louvem o nome do Senhor, pois só o seu nome é exaltado; a sua glória está sobre a terra e o céu”. Salmos 148:13

Ele é digno de receber o louvor: “Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas”. Apocalipse 4:11

É importante salientar uma diferença entre um ministério teológico e um ministério eclesiástico.

Um ministério eclesiástico pode ser entendido como um serviço à comunidade, facilitando o andamento da igreja local, mas se não existir, não afeta em nada o cumprimento das Doutrinas. Por exemplo: toda igreja cristã precisa de um pastor, pois este é um ministério bíblico teológico, mas não precisa, necessariamente, de um grupo de louvor ou departamento infantil. Eventualmente, podemos chamar o louvor de ministério se o considerarmos um ministério eclesiástico.

Um ministério teológico é o que está na Bíblia, são serviços realizados para a propagação do Evangelho a partir de um dom e chamado recebido. Em outras palavras, todo ministério teológico é um dom, mas nem todo dom é um ministério teológico.

Ministérios também são dons: “Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação, assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros. De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada, se é profecia, seja ela segundo a medida da fé; se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino; ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria”. Romanos 12:4-8

Sempre estão ligados à expansão do reino: “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas”. 1 Coríntios 12:28

3 razões do porquê o Louvor não é um ministério teológico

1. Os músicos não geram o verdadeiro louvor:

Os músicos não estão entregando nada para a igreja durante os cânticos, mas apenas conduzindo a congregação à adoração a Deus para que o louvor seja apresentado da melhor maneira, pela melhor tonalidade, andamento, ritmo e entradas. Perceba que conduzir não é o mesmo que gerar louvor. Mas por quê? Porque somente o Espírito Santo pode gerar o verdadeiro louvor nos corações.

Em espírito: “Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade”. João 4:23-24

2. A edificação vem pela Palavra pregada:

Costumamos interpretar a emoção que a música gera como exortação ou consolo genuíno, até porque os louvores teocêntricos (voltados para exaltar unicamente a Deus) podem produzir edificação para a igreja. Contudo, o método normativo é simples: a própria Bíblia. Apesar das letras bíblicas que nos levam à reflexão, Deus edifica e aperfeiçoa sua igreja através da profecia dada por mestres, ou seja, a proclamação e ensino da Palavra.

Edificação: “Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação”. 1 Coríntios 14:3

Ministérios de edificação: “Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo”. Efésios 4:11-12

3. O louvor não feito é para a comunidade, mas sim para Deus:

Como já dissemos, o louvor é um serviço à Trindade, e não à comunidade, pois o receptor do louvor é Deus. Estamos nos comunicando com Ele quando entoamos louvores, por isso as músicas devem ser Teocêntricas. Por esta razão, não cantamos em nossa comunidade músicas que falam sobre feitos humanos, mas sim canções dirigidas a Deus e seu caráter divino. Nesse momento da liturgia do culto, todo o nosso corpo e alma devem estar dedicados ao Senhor.

Louvor pelos atos do Senhor: “Louvai ao SENHOR. Louvai a Deus no seu santuário; louvai-o no firmamento do seu poder. Louvai-o pelos seus atos poderosos; louvai-o conforme a excelência da sua grandeza”. Salmos 150:1-2

Não importa se você é músico, teólogo ou doutor. No culto o centro é Deus, e você está lá para adorá-lo como todos os outros.” – Augustus Nicodemus

O grupo de Louvor

Em nossa comunidade, cremos que o grupo de Louvor “é um agrupamento de filhos de Deus que possuem características em comum, não sendo ministros, mas sim músicos responsáveis por conduzir a igreja em adoração durante essa parte da liturgia do culto”. As qualidades que os unem como músicos da igreja são:

Cristãos: Todos se consideram uma nova criação que abandonou seus velhos costumes.

De sorte que fomos sepultados com ele pelo batismo na morte; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida. Porque, se fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição; sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado”. Romanos 6:4-6

Servos: Todos entendem ser necessário servir com reverência e temor a Deus, priorizando a busca pelo seu Reino.

Servi ao Senhor com temor, e alegrai-vos com tremor”. Salmos 2:11

Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas”. Mateus 6:33

Com dons musicais: Todos possuem talentos musicais e se dispuseram ao trabalho no Reino de Deus.

Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes”. Mateus 25:30

Conclusão

Que nunca nos esqueçamos de que nosso Deus é zeloso com seu louvor, não dividindo sua glória com ninguém. Por isso, cabe ao grupo de louvor servir em humildade, desviando-se do status que esta posição pode aparentar diante da igreja. Que isso não seja um empecilho para nos empenharmos em prestar o louvor da melhor maneira, como Deus é digno de receber.

Que cada música, cada acorde e cada verso cantados possam refletir os dons e talentos recebidos pelos músicos e a devoção da congregação em fazer parte desse momento litúrgico e sagrado para a igreja.

Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome”. Salmos 100:4