Introdução

É comum considerarmos que uma pessoa é boa por ela se comportar de maneira moralmente correta ou por sua generosidade. Logo pensamos, portanto, que essa pessoa merece ir para o céu quando morrer; mas se eu lhe disser que isso não é o suficiente, é possível que surjam algumas perguntas, como: “Como assim não é suficiente? Se eu não mato nem roubo, não deveria merecer ir para o céu?”. A intenção aqui não é dizer que pessoas que fazem coisas boas na visão humana sejam ruins, mas o assunto a ser abordado é: ser uma boa pessoa do ponto de vista humano não é o bastante para ir ao céu.

Muitas pessoas pensam que, por fazerem boas ações ou não fazerem nada que infrinja a lei, elas possuem algum crédito com Deus e, por isso, merecem ir para o céu. Isso acontece porque infelizmente não conhecemos quem de fato Deus é e quem nós somos diante desse Deus. Pensamentos errados a respeito da salvação, como este, são bem frequentes.

Então, para podermos entender que aquilo que fazemos não pode ser visto como um passaporte para o céu, precisamos primeiramente entender quem é Deus e, depois, quem nós somos na visão dele.

Quem é Deus?

Quando a Bíblia, que é a Palavra de Deus, fala sobre o Senhor, ela sempre enfatiza que Deus é o Criador dos céus e da terra, “[…] O SENHOR é o Deus Eterno, o Criador de toda a terra.” (Isaías 40:28, Nova Versão Internacional).

Deus se revela de duas maneiras ao ser humano: primeiramente pela sua palavra, segundamente em sua criação. Tudo o que existe na criação é como se fosse uma seta apontando para a existência de seu Criador.

“Os céus declaram a glória de Deus; o firmamento proclama a obra das tuas mãos. Um dia fala disso a outro dia; uma noite o revela a outra noite. Sem discurso nem palavras não se ouve a sua voz, Mas a sua voz ressoa por toda a terra e as suas palavras, até os confins do mundo” (Salmos 19:1-4, Nova Versão Internacional).

“[…] Pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos Invisíveis de Deus, seu Eterno poder e sua natureza Divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1:19,20, Nova Versão Internacional).

Isso quer dizer que mesmo que você nunca tenha ouvido falar da existência de Deus, a criação lhe revela que ele existe, “de forma que tais homens são indesculpáveis, porque tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças” (Romanos 1:20,21, Nova Versão Internacional).

A Bíblia também nos fala sobre a santidade de Deus, dando enfoque tanto nela quanto em seu amor incondional, um aspecto que, dada a sua importância, deve ser estudado com atenção. A santidade de Deus demonstra que seu amor não está separado de sua santidade, pois o amor de Deus não a fere. Então, quando dizemos que Deus é amor, de fato ele é, mas seu amor não vai consentir com aquilo que ele diz ser pecado.

“[…] Adorem o Senhor no seu esplendor da sua santidade; tremam diante dele todos os habitantes da terra (Salmos 95:9, Nova Versão Internacional).

“Teus olhos são tão puros que não suportam ver o mal; não podes tolerar a maldade” (Habacuque 1:13, Nova Versão Internacional).

Quem somos diante de Deus?

Como vimos, Deus é criador dos céus e da terra. Ele escolheu todo o universo como uma das formas de manifestar a sua glória, de maneira que não temos como nos desculpar diante dele por não lhe glorificar como lhe é devido, mesmo que nunca nos falem a respeito da cruz de Cristo. Falamos também sobre a santidade de Deus, e que todos os habitantes da Terra devem tremer diante deste atributo do Criador.

Em Gênesis, temos o relato da criação de Adão e Eva. Feitos à imagem e semelhança de Deus (Gênesis 1:27) e feitos para viver em relacionamento íntimo e de dependência com seu Criador, apenas uma coisa o Senhor pediu a eles: que o homem não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, se ele comesse, morreria (Gênesis 2:15).

Adão e Eva, de maneira consciente, comeram e perceberam que estavam nús, e a nudez, que em nenhum momento anterior a este texto era vista como vergonha, passou a ser algo vergonhoso; mas por quê? Adão e Eva, antes de deixarem a liberdade que tinham em Deus e comerem da única coisa que o Senhor disse que não podiam, viam o mundo a partir de como Deus via, e a nudez, para o Criador, não era um problema; mas agora o casal enxergava tudo através de uma lente suja, por conta da rebeldia de se deixarem ser tentados pela serpente (Gênesis 3). Por causa disso, houve o rompimento da harmonia entre Deus e o homem, e surgiu uma dívida a ser paga, pois o amor de Deus é um amor que não está separado de sua santidade. O homem, manchado por sua rebelião, não poderia mais viver em harmonia com o seu Senhor.

A partir de Adão, todos nascemos sob o controle do pecado: “Sei que sou pecador desde que nasci, sim, desde que me concebeu minha mãe” (Salmos 51:5, Nova Versão Internacional). Nossas emoções, sentimentos e ações estão manchados pelo pecado. Amamos o pecado e não a Deus (João 3:19). O estado do homem é de depravação total, ou seja, o pecado é expansivo: não há nada no ser humano que não seja contaminado pelo pecado, mesmo as mais belas ações.

“[…] Pois já demonstramos que tanto judeu quanto gentios estão debaixo do pecado. Como está escrito: ‘não há nenhum justo, nem um sequer; não há ninguém que entenda, ninguém que busque a Deus. Todos se desviaram, tornaram-se juntamente inúteis; não há ninguém que faça o bem, não há nem um sequer’” (Romanos 3:10-12, Nova Versão Internacional).

Com o pecado de Adão, o nome santo do Senhor foi manchado. Deus, então, reivindicou a santidade de seu nome. O homem agora é alguém que é merecedor da justa ira de Deus (Efésios 2:3).

“Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça” (Romanos 1:18, Nova Versão Internacional).

Todos estamos debaixo do pecado, por isso, ainda que tenhamos atitudes boas e corretas em nossa sociedade, saiba que, para Deus, suas ações, por estarem manchadas pelo pecado, insultam o santo nome do Senhor, e haverá o dia da ira de Deus.

“Contudo, por causa da sua teimosia e do seu coração obstinado, você está acumulando ira contra si mesmo, para o dia da ira de Deus, quando revelará o seu justo julgamento. Deus ‘retribuirá a cada um conforme seu procedimento’. [..] Mas haverá ira e indignação para os que são egoístas, que rejeitam a verdade e seguem a injustiça” (Romanos 2:6-8, Nova Versão Internacional).

Em outras palavras, as boas ações que fazemos não são garantia de que iremos para o céu. Diante disso, não há nada que possamos fazer para recebermos o perdão de Deus, já que nossas obras são vistas por ele como algo imundo, podre, porque elas não procedem de um relacionamento íntimo com o Senhor, mas de um coração rebelde para com seu Criador (Isaías 64:6). Somente uma pessoa que se arrependeu de sua rebeldia e correu para Cristo pode ter suas ações vistas como sendo boas.

Conclusão

Deus é Criador e santo, e sua santidade não está separada de seu amor. Após o pecado de rebelião de Adão e Eva, todo ser humano é escravo do pecado (Romanos 3:23), logo o homem se encontra separado de Deus e impossibilitado de se aproximar dele. O estado do homem é de depravação total, no sentido de que o pecado se expande por todo o seu ser.

Por maiores, melhores ou pequenas que sejam as coisas boas que fazemos, elas são validadas para vivermos bem em sociedade, mas não são meios de salvação. Portanto, se você se considera uma pessoa boa e que, por isso, merece ir para o céu, a Palavra do Senhor diz que só há um caminho para chegarmos a Deus Pai, e não é pelas nossas obras, mas pela obra de Cristo na cruz.