Introdução

Se nossas ações moralmente boas não são critérios para salvação, como o homem pode ser salvo? É sobre isso que iremos abordar neste segundo texto.

Quando o homem e a mulher, em seu ato de rebeldia consciente, comeram do único alimento que Deus havia restringido dentre todos os que haviam no jardim (Gênesis 3), houve uma ruptura entre Deus e o homem. Surgiu, então, uma dívida que precisava ser paga, com derramamento de sangue de alguém que não estivesse contaminado pelo pecado.

Como a partir do pecado de Adão toda a humanidade se tornou escrava do pecado e a Palavra do Senhor nos diz que o salário do pecado é a morte (Romanos 6.23), seria impossível a qualquer homem nascido da descendência de Adão pagar a dívida perante o Senhor.

E por quê? Nossas ações, mesmo as mais bem intencionadas, estão manchadas pelo pecado, de modo que, diante da Santidade de Deus, a única sentença que poderíamos receber é: “Condenado”. Quando nascemos, essa sentença já repousa sobre nós.

Como podemos ser salvos, então?

De maneira didática, é como um homem que comete um crime gravíssimo e tem a certeza de que sua sentença será a morte, e, diante do Juiz, ele aguarda ouvir: “Condenado à morte”; mas, em vez disso, ele ouve: “Absolvido”. Então, perplexo, por saber que essa não era a sentença que merecia, o réu pergunta ao Juiz: “Como?” e “Por quê?”. O Juiz lhe diz: “A sentença será paga, mas por outra pessoa. É certo que você não merece, mas um homem justo, que nenhum crime cometeu, voluntariamente irá morrer em seu lugar. Não é por nenhum mérito seu, mas eu escolhi usar minha benevolência para com você”.

É no mínimo estranho pensar que alguém, ao cometer um crime gravíssimo, sendo digno de morte, seja absolvido. Mais incomum é que outro sofrerá de maneira voluntária a punição sem ter cometido crime algum, sendo completamente inocente. É isso o que acontece com o Evangelho.

Nós somos o réu que cometeu o crime digno de morte. A única sentença que merecíamos é a condenação, mas Deus é o Juiz que olha para nós e pode nos declarar: “Absolvido”. E isso somente é possível por meio de Jesus Cristo, Ele é quem sofreu pelo nosso crime. O Evangelho não é sobre nós, mas sobre a bondade de Deus e seu poder de tornar homens pecadores em pessoas perdoadas. Portanto, somente Deus pode perdoar, declarando que não existe mais condenação (Romanos 8.1).

Jesus, o Filho de Deus, é o Justo que se fez homem, nascido de uma mulher virgem pela ação do Espírito Santo:

“[…] O nome da virgem era Maria. O anjo, aproximando-se dela, disse: ‘Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!’. Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no que poderia significar esta saudação. Mas o anjo lhe disse: ‘Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus! Você ficará grávida e dará à luz um filho e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim’. Perguntou Maria ao anjo: ‘Como acontecerá isso se sou virgem?’. O anjo respondeu: ‘O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus'” (Lucas 1.27-35, Nova Versão Internacional).

Ele é o cumprimento da promessa de Deus de que da descendência da mulher nasceria um que esmagaria a cabeça da serpente (Gênesis 3.15). É por meio do sacrifício dele na cruz que há a possibilidade da humanidade ser perdoada por seus pecados. Através da morte dele, todo aquele que crê é justificado diante de Deus Pai, não sofrendo a justa ira que está reservada para aqueles que não creram em seu nome: “Portanto, a ira de Deus é revelada dos céus contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça” (Romanos 1.18, Nova Versão Internacional).

A iniciativa de perdoar o homem de todos os seus pecados vem de Deus: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1.13, Nova Almeida Atualizada); pois nada que o ser humano possa fazer mudará a sua sentença diante de Deus, uma vez que estamos manchados pelo pecado e Deus não se relaciona com nada que é impuro (Habacuque 1.13), pois Ele é Santo.

Talvez alguém possa tentar argumentar: “Mas eu cumpro a lei de Deus”. Entretanto, a Palavra do Senhor diz que ninguém é salvo pela obediência à lei de Deus: “[…] O homem não é justificado por obras da lei, e sim mediante a fé em Jesus Cristo […]. Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que Cristo morreu em vão” (Gálatas 2.16, 21, Nova Almeida Atualizada). Nada que o homem fizer, incluindo a obediência aos mandamentos, poderá salvá-lo. Ninguém é salvo senão pela fé em Jesus Cristo.

A salvação não diz respeito ao quão moralmente uma pessoa pode ser boa em suas ações, ou o quanto ela cumpre cada letra da lei de Deus, até porque isso é impossível ao homem, pois o propósito da lei é mostrar como somos pecadores e nos levar até a cruz de Jesus. Portanto, o propósito dela não é ser um meio de salvação por si só, pois a salvação é sobrenatural:

“[…] Ouvindo isto, os discípulos ficaram muito admirados e perguntaram: ‘Sendo assim, quem pode ser salvo?’. Jesus, olhando para eles, disse: ‘Para os seres humanos isto é impossível, mas para Deus tudo é possível'” (Mateus 19:25, 26, Nova Almeida Atualizada).

A fé para a salvação não existe naturalmente em nossos corações, “porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Efésios 2:8-9). Da mesma forma que um réu diante do Juiz não pode salvar-se a si mesmo por seus méritos, assim acontece com a humanidade. Essa obra divina é graça de Deus sobre aqueles que tomam conhecimento do Evangelho e creem nele. Sendo assim, só há uma maneira dessa fé ser gerada em nossos corações: através da palavra de Deus. “E, assim, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir da palavra de Cristo” (Romanos 10:17, Nova Almeida Atualizada).

O Evangelho vem para nos dizer que não há esperança de salvação fora da pessoa de Jesus. Precisávamos que um homem Justo, em quem não houvesse pecado, tomasse o nosso lugar, provando da ira justa de Deus contra todo pecado. Jesus é essa pessoa. A morte dele é suficiente e eficaz para alcançar cada pecador que, ao ouvir a mensagem da cruz, compreende que precisa de um salvador e clama ao Senhor para que o salve.