Qual a diferença entre uma igreja reformada, pentecostal, carismática e ne
Publicado em 20/08/2025
Vivemos em uma época em que muitas igrejas se identificam como evangélicas, mas divergem profundamente em sua teologia, doutrina e prática. Para alguns, isso pode parecer apenas uma questão de estilo ou preferência. No entanto, essas distinções vão muito além da estética ou linguagem: dizem respeito ao modo como enxergamos Deus, a salvação e a autoridade das Escrituras.
Movimento |
Período de Surgimento |
Local de Origem |
Marco Histórico / Fundador |
Características Principais |
Reformado |
Século XVI (1500s) |
Europa (Alemanha, Suíça) |
Reforma Protestante (Lutero, Calvino, Zuínglio) |
Sola Scriptura, soberania de Deus, culto reverente e confissões históricas |
Pentecostalismo Clássico |
Início do século XX |
EUA (Los Angeles) |
Avivamento da Rua Azusa (1906) – William Seymour |
Ênfase no batismo no Espírito Santo, línguas, curas e culto vibrante |
Movimento Carismático |
Décadas de 1950–60 |
EUA e Europa |
Renovação dentro de igrejas históricas |
Dons espirituais em igrejas tradicionais, estilo mais livre, mas ainda com estrutura histórica |
Neopentecostalismo |
Década de 1950–60 |
EUA |
movimento “Word of Faith” (Palavra da Fé) e teologia da prosperidade |
Fé como força espiritual, prosperidade financeira como sinal de bênção, confissão positiva e cura divina como ‘’direito garantido’’ pelo sacrifício de Cristo |
Igrejas “Church” / Pós-carismáticas |
Anos 2000 em diante |
Global (EUA, Brasil) |
Crescimento de igrejas como Hillsong, Zion, Dunamis etc. |
Estilo jovem, culto estético, liderança carismática e pouca doutrina formal |
Vamos conhecer as principais doutrinas das maiores denominações evangélicas e comparar suas diferenças teológicas com a nossa Fé Reformada, entendendo através da proximidade ou distância das Escrituras, se podemos considerá-los irmãos em Cristo.
As igrejas reformadas, como Batistas Reformados, Presbiterianos e Congregacionais, são herdeiras diretas da Reforma Protestante do século XVI. Elas seguem confissões de fé históricas — como a Confissão de Fé de Westminster e a Confissão Batista de 1689 — e enfatizam:
“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Timóteo 3:16)
“Assim, meus amados, como vocês sempre obedeceram, não só na minha presença, porém, muito mais agora, na minha ausência, desenvolvam a sua salvação com temor e tremor, porque Deus é quem efetua em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.” (Filipenses 2:12)
“Tudo, porém, seja feito com decência e ordem.” (1 Coríntios 14:40)
“Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15)
Na maioria das igrejas reformadas entende-se que Deus continua operando milagres conforme Sua vontade soberana, mas que esses atos não se manifestam como práticas habituais ou esperadas nos cultos públicos.
Ao contrário do modelo encontrado em igrejas pentecostais e carismáticas, os reformados não consideram manifestações sobrenaturais contínuas como marca essencial da adoração cristã. O foco não está em experiências extraordinárias, mas na pregação fiel das Escrituras.
“Os judeus pedem sinais, e os gregos buscam sabedoria; mas nós pregamos a Cristo crucificado...” (1 Coríntios 1:22-23)
Para os reformados, o Evangelho é suficiente. Sinais e maravilhas não são o centro da Fé Cristã, mas a obra consumada de Cristo.
A teologia reformada também ensina que milagres, por si só, não produzem fé genuína. Um exemplo claro é o povo de Israel no deserto, que, mesmo após testemunhar grandes sinais — como o mar se abrir, o maná cair do céu e a água jorrar da rocha —, permaneceu com o coração endurecido e não entrou no descanso prometido.
“E, com quem se indignou por quarenta anos? Não foi com os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto?” (Hebreus 3:17)
A fé autêntica, segundo os reformados, vem pela exposição da Palavra, não por manifestações visíveis. Por isso, a ênfase reformada está na pregação bíblica, na instrução doutrinária e na dependência do Espírito Santo por meio dos meios ordinários de graça.
Sobre o dom de línguas descrito no Novo Testamento, a teologia reformada crê que ele se refere a idiomas humanos reais e reconhecíveis, usados como sinal para os gentios — especialmente no contexto missionário da igreja primitiva.
“Cada um de nós os ouve falar em nossa própria língua materna.” (Atos 2:8)
Logo, a teologia reformada não reconhece como bíblico o fenômeno moderno de “línguas estranhas” sem interpretação.
Tal prática é incompatível com as instruções de 1 Coríntios 14, onde Paulo afirma que o dom deveria ser usado com:
Na maioria das igrejas reformadas, é rejeitada a noção de novas revelações ou profecias após a era apostólica.
A revelação de Deus foi completada em Cristo e registrada nas Escrituras:
“Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho...” (Hebreus 1:1-2)
Como igreja reformada, cremos que Cristo é a revelação final de Deus, e que a Bíblia contém tudo o que é necessário para a vida e a piedade:
“O seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e à piedade...” (2 Pedro 1:3)
Com isso, qualquer pretensão de “palavras proféticas” fora da Escritura é considerada ilegítima.
As igrejas pentecostais surgiram no início do século XX, especialmente com o avivamento da Rua Azusa (1906), nos Estados Unidos. Exemplo clássico: Assembleia de Deus. Características principais:
Para os reformados, o problema não está no zelo espiritual, mas na falta de critério doutrinário: as experiências acabam guiando a teologia, e não o contrário. Isso contrasta com a Fé Reformada, que afirma a suficiência das Escrituras como autoridade final, rejeitando a centralidade de sinais, línguas ininteligíveis e “novas revelações” como base da fé. Quando experiências se tornam o fundamento, corre-se o risco de distorcer o Evangelho, substituindo a obra consumada de Cristo por sensações momentâneas e práticas sem respaldo bíblico.
O movimento carismático começou dentro de igrejas históricas, mas, com o tempo, deu origem a congregações independentes, além das igrejas neocarismáticas “multidenominacionais” ou no modelo “church”. Essas igrejas geralmente combinam:
As igrejas neopentecostais, como Universal do Reino de Deus, Mundial, Internacional da Graça e Igreja da Renascer, têm uma abordagem ainda mais distante das Escrituras. Características marcantes:
Para as igrejas que têm compromisso sério com as Escrituras, muitas denominações não podem ser consideradas cristãs, mesmo que professem ser. A razão é doutrinária e teológica: embora mencionem o nome de Jesus e utilizem a Bíblia, sua mensagem deturpa os fundamentos do verdadeiro Evangelho. Se uma igreja pratica uma dessas coisas, ela não pode ser considerada verdadeira:
‘’Estou muito surpreso em ver que vocês estão passando tão depressa daquele que os chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual, na verdade, não é outro. Porém, há alguns que estão perturbando vocês e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu pregue a vocês um evangelho diferente daquele que temos pregado, que esse seja anátema.’’ (Gálatas 1:6-8)
"Pedis e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." (Tiago 4:3)
"Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão, porém, me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens." (Marcos 7:6-7)
"...homens corruptos de entendimento e privados da verdade, cuidando que a piedade é fonte de lucro. Afasta-te dos tais." (1 Timóteo 6:5)
“Portanto, irmãos, pelas misericórdias de Deus, peço que ofereçam o seu corpo como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. Este é o culto racional de vocês. E não vivam conforme os padrões deste mundo, mas deixem que Deus os transforme pela renovação da mente, para que possam experimentar qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1)
Hoje, observa-se uma geração de neopentecostais e neocarismáticos mais sofisticados. Eles abandonaram a estética caricata do “pastor com chapéu de cowboy” e do “terno branco com sapatinho de fogo” e passaram a adotar o streetwear, discursos aparentemente teológicos e citações de figuras históricas como Calvino e Spurgeon. Com isso, conseguem parecer mais intelectuais e atrair especialmente os jovens. Porém, sob essa capa, permanecem os velhos problemas: elitismo dentro da igreja, culto à personalidade, exagero e infantilidade na forma de lidar com dons sobrenaturais, além de pregações que soam confrontativas, mas, na prática, revelam incoerência.
Exemplos de práticas relatadas incluem conferências de milhares de reais, áreas VIP dentro de igrejas e reuniões em ambientes luxuosos — o que contradiz o chamado bíblico à simplicidade e ao cuidado com os pobres, órfãos e viúvas. A estética refinada e o discurso bem articulado tornam aceitáveis absurdos que, em essência, não diferem da lógica anterior do neopentecostalismo.
Essa geração é considerada ainda mais perigosa, pois aprendeu a se adaptar ao gosto cultural contemporâneo e à linguagem acadêmica, tornando-se palatável a jovens recém-convertidos que buscam relevância e status intelectual. O perigo é sutil: por trás de uma imagem de excelência, se escondem manipulação, superficialidade e práticas antibíblicas.
Ainda que alguns membros possam ser sinceros em sua busca espiritual, o sistema neopentecostal e neocarismático como um todo nunca se alinhou aos fundamentos bíblicos. Por isso, não os reconhecemos como igrejas verdadeiras nem como irmãos, da mesma forma que não reconhecemos uma seita herética.
Isso não se aplica apenas a esses movimentos evangélicos, é necessário destacar que nem todas as igrejas que se identificam como reformadas, pentecostais ou carismáticas são, de fato, bíblicas em sua doutrina e prática. A mera afiliação denominacional não garante fidelidade às Escrituras. Por isso, é essencial que cada igreja local seja avaliada à luz de sua confissão de fé, linha doutrinária e prática ministerial.
"Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas operando grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, os próprios eleitos." (Mateus 24:24)
"Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão dissimuladamente heresias destruidoras... Muitos seguirão as suas práticas libertinas e, por causa deles, será infamado o caminho da verdade." (2 Pedro 2:1-2)
Vamos listar os pontos essenciais para identificar uma igreja verdadeiramente cristã, independentemente do rótulo denominacional que carrega.
Apesar de nossas diferenças doutrinárias com igrejas pentecostais e carismáticas, reconhecemos como irmãos em Cristo todos os que creem no verdadeiro Evangelho, ou seja:
"Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo." (Mateus 28:19)
"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade." (João 1:1,14)
"Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e foi sepultado, e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras." (1 Coríntios 15:3-4)
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8-9)
"Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (2 Timóteo 3:16-17)
"Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus." (João 3:18)
Não estamos falando de unidade institucional, mas espiritual, fundamentada na verdade do Evangelho. Podemos ter amizade, diálogo e até cooperação pontual com irmãos que pensam diferente em questões secundárias, desde que compartilhem conosco os pontos centrais da fé bíblica.
Como cristãos, somos chamados à unidade no corpo de Cristo. No entanto, unidade não é sinônimo de uniformidade nem de relativismo doutrinário, pois deve estar firmada nas verdades essenciais do Evangelho, não em emoções, estruturas humanas ou tendências culturais.
Por isso, é fundamental conhecer a doutrina da igreja que você frequenta. Examinar sua confissão de fé, suas práticas e sua fidelidade às Escrituras é parte da nossa responsabilidade como crentes. Busque uma igreja bíblica, centrada na glória de Deus, na exposição fiel da Palavra e no Evangelho da graça.
Que o nosso desejo de comunhão venha acompanhado de discernimento espiritual, e que não negociemos a verdade por relevância. Que busquemos igrejas que glorificam a Deus com verdade, reverência e amor.
“Suportando-vos uns aos outros em amor, procurando diligentemente guardar a unidade do Espírito no vínculo da paz.” (Efésios 4:2-3)