Se há algo que podemos afirmar com total convicção, é que Jesus nunca desperdiçou o seu tempo com superficialidades enquanto estava conosco na Terra. A todo momento Ele estava servindo os seus, orando ao Pai e se consagrando para o dia de sua morte. Ele tinha um propósito em vida e não gastou um minuto sequer com algo que não glorificasse a Jeová. Podemos conferir uma prova disso ao lermos Mateus 24.1, em que uma simples apresentação das edificações do templo feita por seus discípulos rendeu-lhes uma longa e maravilhosa explicação sobre o fim dos tempos, a volta do Filho do Homem e o Reino dos céus.

Mateus 24.1: “Tendo Jesus saído do templo, enquanto se retirava, seus discípulos aproximaram-se dele para lhe mostrar as edificações do templo.

Você consegue imaginar essa cena comigo? Os discípulos dizendo a Cristo: “Veja, Mestre! Perceba a beleza dessa coluna! Veja o trabalho que nossos pais fizeram na reconstrução do templo. Este é o lugar em que adoramos e servimos a Deus“. Todos empolgados e cheios de vigor, assim como fazemos ao levarmos um amigo para visitar um lugar de que gostamos.

A resposta de Jesus, como sempre, é profunda e cheia de segundas e plenas intenções: “Em verdade vos digo que aqui não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada” (verso 2). Essas palavras provocaram e despertaram exatamente o sentimento que Jesus queria: a curiosidade e interesse de seus discípulos sobre como seria o fim do mundo.

Você já parou para imaginar o fim dos tempos? Como será que este mundo chegará ao fim? Bem, os discípulos tiveram o privilégio de saber, diretamente da boca do Mestre, como seria esse momento glorioso para os eleitos e perturbador para os que estão longe de Deus.

Cristo começa, então, falando do princípio das dores e reforçando que “[…] quem perseverar até o fim será salvo” (verso 13). O cenário de tribulação descrito por Jesus é impressionante! Mas Ele, com todo o seu cuidado, reforça que quer manter seu povo consciente para que não sejam pegos de surpresa sobre o que havia de acontecer.

Mateus 24.25: “Eu vos tenho dito essas coisas antes que aconteçam.”

Mateus 24.42: “Portanto, vigiai, pois não sabeis em que dia vem o vosso Senhor.

Além de contar aos discípulos como seriam os finais dos tempos, Jesus também os orienta, a partir do verso de número 44, que eles estejam preparados, demonstrando que é esperado do povo de Deus um comportamento até que Ele volte para buscar a sua amada Igreja. Aqueles que agirem assim serão felizes e contemplarão a glória de Deus em vida.

Estando dito isso, a partir daqui começaremos a entender melhor sobre os dons e talentos distribuídos a todo crente em Jesus no Reino.

Mateus 24.46: “Bem-aventurado o servo a quem seu senhor, quando vier, encontrar agindo assim.

Ao ler este versículo, você pode se perguntar: “Assim como?”. Bem, vamos à ordem dos fatos. Para isso, peço gentilmente que pegue a sua Bíblia.

Leia Mateus 24.4-34 e você verá que, primeiro, Jesus fala sobre todos os sinais que precederiam a sua volta. Ele traz à luz todos os sinais que ajudariam o seu povo a entender que o final dos tempos estava chegando.

Agora, vamos aos versos 36 até 44. Percebe que, além de citar os acontecimentos nos versos anteriores, Jesus começa a advertir seus discípulos a estarem prontos para a sua volta? Ele não apenas conta o que os seus servos pediram: “Jesus, como será o final dos tempos?”. O Cristo não poderia compartilhar essa informação sem depois manifestar o seu lado pastoral dizendo: “Agora que eu lhes mostrei os sinais, tomem cuidado! Fiquem atentos!”.

Leia os versos 44 até 51. Percebe que há um comportamento esperado do povo de Deus em relação à sua volta? Ele virá em um momento em que NINGUÉM o estará esperando. Isso serve de grande alerta, pois nos versos anteriores, Jesus diz claramente: “ESTEJAIS PRONTOS!”. E o Deus Filho é um Mestre tão maravilhoso que, para complementar seu ensino, Ele inicia o capítulo 25 contando duas parábolas.

Parábola 1 – As dez virgens

Como os irmãos bem sabem, as parábolas eram utilizadas por Jesus para contextualizar os seus seguidores sobre os seus ensinamentos. Ele utilizava algo conhecido para trazer um novo conhecimento. Talvez alguns de vocês, leitores, pensem: “Mas Jesus já deu tantas explicações no capítulo 24 sobre como seria a sua volta e que deveríamos ficar atentos; para que mais exemplificações?”. Bem, Jesus nos ama tanto que Ele não quer ver dúvidas em nossos olhos sobre como devemos viver nesta Terra aguardando a sua volta. Que amor maravilhoso!

O reino do céu será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do noivo.” (Mateus 25.1)

“Também é como um homem que, ausentando-se do país, chamou seus servos e lhes entregou seus bens.” (Mateus 25.14)

Primeiro, Jesus compara o Reino do Céu a dez virgens. O verso 2 diz que “cinco delas eram insensatas, e cinco, prudentes”. Ou seja, cinco delas estavam preparadas para encontrar o noivo, mesmo que ele viesse a demorar. Porém, as demais não estavam prontas para essa demora e não levaram azeite de sobra para manter as suas lâmpadas acesas.

E, demorando o noivo, todas começaram a cochilar e dormiram” (verso 5)

Sim, todas dormiram. Inclusive as prudentes. Lembram que Jesus diz no verso 44 do capítulo 24 que “o Filho do Homem virá numa hora que não esperais”? Mesmo que as noivas prudentes estivessem preparadas para o encontro, elas ainda não sabiam em qual momento seu noivo chegaria. Sendo assim, elas também dormiram. Pense comigo, em quantas vezes ao dia você e eu nos lembramos de que Cristo está para voltar? Talvez a nossa lembrança se dê em dias da Ceia do Senhor ou em momentos de dor, em que lembramos que no céu não haverá choro.

Quando o relógio bateu à meia-noite, o noivo chegou e nenhuma das noivas estava de pé. Diz o verso 7 que elas se levantaram e prepararam suas lâmpadas para o grande encontro com o noivo, mas as imprudentes precisaram ir correndo comprar mais azeite para que as suas lâmpadas não se apagassem. O versículo 10 conta que “as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento, e fechou-se a porta”. Na sequência, as imprudentes voltam até a festa tentando entrar pelas portas e recebem a seguinte resposta: “Em verdade vos digo que não vos conheço” (verso 12).

Aplicação prática da primeira parábola

Nessa primeira comparação do Reino do Céu, Jesus exemplifica que é ESPERADO que os seus servos sejam como noivas prudentes que estejam preparadas para o seu retorno. Mesmo que ao longo de nossos dias esqueçamos que Jesus voltará para nos buscar, precisamos viver nesta Terra com prudência, não permitindo que o azeite falte e a nossa lâmpada se apague. O que mantém a nossa luz acesa neste mundo é o agir do Espírito Santo em nós.

Parábola 2 – Os talentos

Agora, nos versos 14 a 30 vemos uma outra comparação do Reino do céu e uma EXPECTATIVA de Jesus ao seu povo. Se na primeira parábola Ele ensina que precisamos nos manter preparados com a nossa lâmpada acesa e o nosso azeite em prontidão, aqui Ele nos ajuda a não adormecer no momento da espera, como as cinco virgens fizeram.

Um senhor precisou se ausentar do país e decidiu entregar seus talentos a seus servos. Jesus conta que eles não receberam uma porção igual, pelo contrário, cada um cuidaria de um talento segundo a sua capacidade. Contextualizando esse ensino, já podemos entender que Jesus, ao nos deixar nesta Terra e ir para outro ambiente espiritual – o Reino do céu -, concedeu a cada um de nós talentos.

O talento nessa parábola possui uma conotação de valor monetário; podemos dizer que cada servo recebeu uma quantia em dinheiro. Quer coisa mais difícil (para alguns) de se administrar do que o dinheiro? Com ele adquirimos bens, mas quando utilizado de forma indevida, contraímos dívidas e nos colocamos em uma situação de risco. Podemos dizer, então, que todo talento concedido a nós TEM VALOR! E este talento pode nos levar à riqueza espiritual: crescimento no Reino de Deus; expansão do Evangelho; mais e mais conhecimento e intimidade com a Trindade. Mas, quando cuidado de forma imprudente, pode nos levar à pobreza espiritual: falta de conhecimento das Escrituras; falta de comunhão com os irmãos; falta de intimidade com Deus.

Voltando à parábola de Jesus:

O que havia recebido cinco talentos foi negociá-los imediatamente e ganhou mais cinco” (verso 16)

Se você exerce algum trabalho na Igreja de Jesus, já reparou que quanto mais fazemos, mais coisas surgem para serem feitas? Você começa entrando no Grupo de Evangelismo, de repente está dando aula para as crianças e passa a fazer visitas. Isso demonstra que O TRABALHO NO REINO NUNCA ACABA. Temos uma infinidade de coisas a fazer com os talentos que recebemos.

A parábola conta que, passando MUITO TEMPO, o senhor voltou para ACERTAR AS CONTAS com os seus servos. Podemos dizer, então, que Jesus, sendo o nosso Senhor e Aquele que nos entregou um talento valioso para trabalhar no Reino, fará um acerto de contas conosco no Grande Dia. Você consegue se lembrar da passagem sobre os Galardões? Se sim, você fez uma ótima conexão com a Palavra de Deus!

Chegou, então, o GRANDE MOMENTO. Os servos daquele senhor mostraram a ele o que fizeram com os talentos que receberam. O que recebeu cinco entregou dez, e a resposta de seu senhor não poderia ter sido mais maravilhosa:

Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel sobre pouco; sobre muito te colocarei; participa da alegria do teu senhor!” (verso 21)

Você, que está com as mãos sujas pelo trabalho no Reino, consegue imaginar que dia maravilhoso será este? Jesus te chamará de fiel, de um bom servo e ainda te convidará a participar da alegria Dele. Que recompensa gloriosa!

O que recebeu dois talentos fez o mesmo, multiplicou-os e entregou quatro. Este recebeu a mesma recompensa. Percebe que ter mais ou menos talentos não traz mais ou menos mérito diante de Deus, mas sim o que você faz com esses talentos? Se uma pessoa canta, toca, fala bem, cozinha bem e serve no Reino com todos esses talentos, ela não é melhor do que o que apenas fala bem. Se ambos recebem esses talentos e os colocam em prática no Reino de Deus, multiplicando-os, receberão a mesma recompensa. Ambos serão servos bons e fiéis, pois utilizaram de seus talentos para benefício do Reino.

Porém, Jesus finaliza a parábola com um acontecimento terrível. O servo que havia enterrado seu único talento começa a justificar por qual razão fez isso. Primeiro, ele diz conhecer o seu senhor como um homem severo. Mas será que ele realmente sabia a quem servia? Veja que os demais colegas dele foram participar da alegria do seu senhor! Então ele diz: “Fiquei com medo e fui esconder na terra o teu talento; aqui tens o que é teu” (verso 25).

Talvez aos olhos humanos esse comportamento não esteja errado. Se o servo entendia que o seu senhor era severo e ficou com medo, portanto enterrando o talento que recebeu, ele não fez mal algum. Pior seria se ele o tivesse perdido, correto? Errado! Os caminhos e pensamentos do Senhor são maiores do que os nossos (Isaías 55.8). Quando Deus nos entrega um talento, deixá-lo enterrado não o glorifica. Deixá-lo enterrado não traz nenhum benefício ao seu Reino. Deixá-lo enterrado não expande a sua glória. Deixá-lo enterrado com a justificativa do medo em fazer, não nos permite participar da alegria de Jesus na sua volta. O que acontece com esse servo, então? O senhor o chama de servo MAU E PREGUIÇOSO (verso 26). Por que mau? Por que preguiçoso?

Servo Mau

Este servo não pensou em seu Senhor, apenas em si mesmo. Ele não pensou que este dinheiro, ao ser multiplicado, traria benefício a outras pessoas. Mais empregos poderiam ser gerados se ele tivesse cuidado bem do dinheiro que recebeu. Mais pessoas poderiam ser beneficiadas e mais recursos elas teriam para trabalhar.

Trazendo isso para a aplicação prática: quando enterramos e escondemos nossos talentos, impedimos que o Evangelho de Deus seja propagado, impossibilitamos a expansão do Reino, tornamos o trabalho mais pesaroso e cansativo àqueles que têm cuidado e multiplicado seus talentos. Não agimos como Deus ordena, e todo aquele que não faz o que a Lei do Senhor ordena, não o conhece. Lembram-se do que o servo mau disse? “Bem sei que és severo” (verso 24). Será que este servo conhecia, de fato, o seu senhor?

I João 2.4: “Aquele que afirma: ‘Eu o conheço’, e não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso e a verdade não está nele.

Servo preguiçoso

Aqueles que receberam mais de um talento, a parábola diz que eles saíram IMEDIATAMENTE para multiplicá-los. Isso quer dizer que eles estavam preparados para fazer negociações assim que receberam o dinheiro em mãos. Isso me lembra das palavras de Jesus em Lucas 9, quando Ele chama alguém para segui-lo e a resposta obtida é: “deixe-me enterrar meu pai primeiro” (verso 59). Mesmo sendo essa uma das situações mais terríveis na vida do homem (o luto), Jesus espera que os chamados e escolhidos respondam à sua voz IMEDIATAMENTE, assim como o servo bom e fiel da parábola mencionada fez.

É muito fácil enterrar um talento. Isso exige um único esforço: não fazer nada. Porém, posso citar três versículos que demonstram claramente o quanto Deus é JUSTO com os preguiçosos:

Provérbios 20.13: “Não ame o sono, senão você acabará ficando pobre; fique desperto, e terá alimento de sobra.

Provérbios 6.6: “Observe a formiga, preguiçoso, reflita nos caminhos dela e seja sábio!

2 Tessalonicenses 3.10: “Quando ainda estávamos com vocês, nós ordenamos isto: Se alguém não quiser trabalhar, também não coma.

Qual é, então, a recompensa para o servo preguiçoso? Ele deveria participar também da alegria do Senhor, como os demais que saíram imediatamente para servir no Reino com os talentos que receberam? Jesus diz que não.

Se o preguiçoso não come, como diz Tessalonicenses, o preguiçoso também perde o talento. Lembra que fizemos a comparação com o dinheiro mal administrado que traz dívidas? Quando nos endividamos, temos consequências neste mundo. O que mais acontece é o nome ficar sujo e não conseguirmos adquirir mais nenhum bem. E como pagamento, muitas vezes pode acontecer de termos nossos bens retirados para que a dívida seja paga. E no Reino? O que aconteceu com este servo?

Tirai dele o talento e entregai-o ao que tem dez talentos. Pois a todo o que tem, mais lhe será dado, e terá com fartura; mas ao que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado. Lançai o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes.” (Mateus 25.28-30)

Tirai dele o talento: o que tinha apenas um talento, por o ter enterrado, perdeu para aquele que tinha dez (e se você é o que tem dez talentos no Reino de Deus, lembre-se de que sempre pode receber mais ao longo de sua vida).

Até aquilo que tem lhe será tirado: como se não bastasse ter o talento retirado, ele perdeu absolutamente tudo. Se, mesmo não fazendo nada, ele participava da comunhão dos irmãos, agora até isso ele não pode mais fazer. Se ele ouvia a Palavra, ele não mais a ouvirá.

Lançai o servo inútil: além de perder seu talento e tudo mais que possuía de benefício no Reino de Deus, ele foi chamado de inútil, pois para nada serviu ao seu Senhor.

Nas trevas: a recompensa dos que multiplicaram seus talentos foi aproveitar a alegria de Jesus pela eternidade, mas este servo mau e preguiçoso teve como recompensa as trevas eternas, onde há choro e ranger de dentes: o Inferno.

Conclusão

Os discípulos apenas perguntaram como seria a volta de Jesus, mas, como resposta, receberam instruções precisas dos sinais que a precederiam e de como eles deveriam se preparar:

  1. Mantendo as suas lâmpadas acesas e o azeite sempre cheio para que a chama do Espírito não se apagasse em seus corações.
  2. Multiplicando os talentos que receberam para que não houvesse tempo de cochilarem como fizeram as noivas. Trabalhando incessantemente até que o seu Senhor voltasse.
  • As virgens prudentes entraram na festa com o noivo.
  • O servo bom e fiel participou da alegria de seu senhor.
  • As virgens insensatas ficaram para fora das portas da festa e, mesmo clamando pelo noivo, ele respondeu dizendo que não as conhecia.
  • O servo mau e preguiçoso teve o talento e todos os seus bens retirados e foi lançado em um lugar de trevas, onde só havia choro e ranger de dentes.

O nosso texto se encerra por aqui, mas o capítulo 25, não. Jesus ainda traz mais informações aos discípulos e a nós – seu povo, sua noiva, seus servos – sobre o dia em que separará as ovelhas dos cabritos.

Que à semelhança da virgem prudente e do servo bom e fiel possamos nos encontrar preparados para o Grande Dia. Que o nosso Jesus possa nos encontrar prontos e acordados, trabalhando com os talentos que Ele confiou a nós.